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Síntese Dialética
Karl Marx defendia a planificação da econômica?
De fato, no entanto a planificação econômica defendida por Karl Marx diferente da planificação econômica dos partidários do chamado centralismo democrático.
Para Marx e Engels, o capitalismo, domesticamente falando é baseado em uma anarquia, na alienação dos trabalhadores dos assuntos domésticos referente ao seu ofício, no que diz respeito a forma como é distribuido, percebido e administrado os excedentes gerados pela atividade produtiva, tudo é feito para troca de forma cega.
No entanto, a planificação defendida por Karl Marx, não é a planificação central realizada por políticos distantes e que nunca pisaram em um chão de fábrica, mas pelos próprios produtores, desde o conselho de fabrica das cooperativas, até os conselhos da categoria, até conselho geral de todas as categorias de trabalhadores, um corpo jurídico voltado a troca de informações entre os trabalhadores, e a administração dos bens de interesse comum, o conselho geral é um instrumento de direcionar o processo produtivo ao atendimento dos interesses do trabalhadores e para necessidades de interesses comuns.
Os anarquista defendiam que a relação do conselho geral com os conselhos mais básicos (conselhos de fábrica e da categoria) fosse horizontal garantindo maior autonômia aos conselhos mais próximo dos trabalhadores, já os Marxistas, defendendiam que a relação do conselho geral com os conselhos mais básicos fosse vertical, garantindo maior segurança de observância de principios gerais do comunismo frente a vícios privados, como re-produção do processo produtivo (porcentual mínimo de reserva para capital de giro), critérios de distribuição das sobras para os trabalhadores, e também normativas referentes a um seguro comum de acidentes de trabalho, o que hoje chamamos de seguridade social.
Já Leninistas e Trotskyista defendem o centralismo democrático, onde as diretrizes econômicas são dirigidas centralmente por um partido monolítico, cujo os cargos deste corpo jurídico hierarquizado é ocupado por critério técnicos e científicos e na prática envolto do carreirismo políco, cujo a base desse corpo jurídico maior não são operários e camponeses mas estudantes universitários, e abaixo desse corpo jurídico, há um corpo jurídico menor eleito por democracia direta pela sociedade civil, subordinado a esse corpo jurídico maior, assim é na China e na antiga URSS.
Os Trotskyistas tendem a defender maior autonomia aos conselhos de trabalhadores em detrimento do partido político, no entanto igualmente defendem um partido único, dividido em subseções. Já os Leninistas, ou conforme acusado pelos Trotskyistas como Stalinistas, defendem o centralismo democrático, e um partido político forte, controlador como algo necessário para combater o "imperialismo norte-americano", algo considerado vital para se preservar o "socialismo" em uma nação.
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Síntese Dialética
Leon Trotsky (1879–1940) foi um revolucionário marxista russo e o principal formulador da teoria da revolução permanente, elaborada no contexto das tensões internas do socialismo russo, do imperialismo europeu e das condições históricas específicas da Rússia.
O cenário político do socialismo russo
No início do século XX, a Rússia concentrava múltiplos partidos socialistas em conflito:
1. o Partido Socialista-Revolucionário, com forte base camponesa;
2. o Partido Operário Social-Democrata Russo, dividido entre mencheviques e bolcheviques.
A teoria marxista clássica afirmava que a transição ao comunismo ocorreria por etapas históricas — feudalismo → capitalismo → socialismo/comunismo — impulsionadas por conflitos de classe e pela auto-organização política do proletariado. Essas condições “objetivas” (indústria desenvolvida, proletariado numeroso) eram consideradas maduras nos países centrais do capitalismo (Inglaterra, Alemanha, França, EUA etc.), não na Rússia, ainda marcada por estruturas feudais e agrárias.
A Rússia “atrasada”, o imperialismo e o dilema estratégico
Em 1905, a Rússia conheceu uma experiência inédita: os conselhos de trabalhadores (sovietes), forma embrionária de democracia operária.
Contudo, faltavam as bases industriais que a ortodoxia marxista julgava necessárias para uma transição socialista sustentável.
Dentro do socialismo russo, surgiram propostas etapistas:
1. reforma agrária ou estatização da terra no campo;
2. desenvolvimento do capitalismo nas cidades, com limites à jornada e direitos trabalhistas;
3. preservação da democracia recém-conquistada, enquanto a economia amadurecia.
Esse dilema se agravou com a Primeira Guerra Mundial. A Rússia czarista estava integrada ao sistema imperialista europeu. Havia o temor — amplamente justificado — de que uma saída unilateral da guerra ou uma ruptura revolucionária precoce provocasse intervenção militar estrangeira, visando:
1. restaurar o czarismo,
2. proteger investimentos externos,
3. recolocar a Rússia no esforço de guerra.
Para correntes socialistas mais ortodoxas, a democracia soviética nascente estaria em risco se a Rússia rompesse isoladamente com a ordem internacional imperialista.
Essas posições foram classificadas como “burguesas” pela ala mais radical dos bolcheviques.
A revolução permanente, o imperialismo e o internacionalismo
É nesse contexto que Trotsky formula a teoria da revolução permanente, articulando atraso interno e pressão imperialista externa.
Seus pontos centrais:
1. não seria necessário aguardar a sequência clássica de etapas históricas;
2. uma vanguarda revolucionária poderia assumir o poder em um país atrasado;
3. essa vanguarda deveria industrializar rapidamente, planificar a economia e dirigir a transição;
4. a burocracia emergente seria controlada por uma hierarquia centralizada;
5. a autodeterminação plena dos conselhos seria adiada, prometida para um estágio posterior;
6. o processo seria sustentado pela expectativa de que a revolução se expandiria internacionalmente.
Aqui surge o ponto decisivo:
para Trotsky, o socialismo não poderia sobreviver isoladamente. A revolução russa só se sustentaria se fosse o estopim de uma revolução internacional, especialmente nos países industrializados da Europa. O internacionalismo era, portanto, condição de sobrevivência, não apenas princípio moral, pois para Trotsky uma nação socialista atrasada, não poderia sobreviver a constante intervenção militar e bélica do capital internacional.
Na prática, contudo, enquanto a revolução internacional não se realizava, o poder ficava concentrado na elite político-militar, que governava em nome do proletariado.
1917: poder, sovietes e ruptura
Trotsky e Vladimir Lênin convergiram para a derrubada de Alexander Kerensky. O Governo Provisório não era um governo direto dos sovietes, embora dependesse de sua legitimidade.
A tomada do poder em Outubro foi justificada como expressão da vontade dos conselhos, mas executada por uma aliança entre partido, setores militares e operários armados. O resultado foi a centralização do poder no partido, com os sovietes sendo progressivamente subordinados ao aparato estatal.
1. Trotsky rompe com o etapismo clássico ao propor uma aceleração revolucionária em país atrasado.
2. A revolução permanente legitima a tomada do poder por uma elite para “criar” as condições objetivas.
3. A teoria do imperialismo e o risco de intervenção estrangeira são usados como justificativa estratégica para a centralização político, econômico, militar pelo partido comunista.
4. O internacionalismo funciona como promessa futura que suspende o autogoverno presente.
5. O poder dos conselhos é adiado em favor do controle partidário.
Trotsky forneceu a base teórica para substituir a maturação histórica e a auto-organização direta por uma transição dirigida, legitimada pela pressão imperialista e pela expectativa de revolução mundial — processo que viabilizou a centralização bolchevique do poder sob a promessa de um socialismo futuro que nunca aconteceu.
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Síntese Dialética
Anton Pannekoek (1873–1960) foi um astrônomo e teórico marxista holandês, um dos principais representantes do comunismo de conselhos (council communism) e um crítico direto do leninismo.
Pannekoek defendia que a emancipação da classe trabalhadora só pode ser obra da própria classe, por meio de conselhos de trabalhadores autogeridos, e não por partidos políticos ou Estados centralizados. Para ele, quando um partido governa “em nome” do proletariado, ocorre uma substituição da classe por uma elite dirigente.
Embora marxista, Pannekoek rompeu com o marxismo ortodoxo e com o bolchevismo, afirmando que o leninismo transformou o marxismo em ideologia de Estado, traindo seu núcleo emancipatório.
1. Autogoverno dos trabalhadores por conselhos (sovietes autênticos).
2. Rejeição do partido como sujeito revolucionário.
3. Crítica ao centralismo e à burocracia.
4. Interpretação não autoritária da “ditadura do proletariado”.
Ênfase na consciência de classe e na ação direta.
1. Pannekoek × Lênin
2. Lênin: partido dirige a revolução e o Estado.
3. Pannekoek: a classe dirige a si mesma, sem mediações permanentes.
Para Pannekoek, a chamada “ditadura do proletariado” só pode existir no sentido sociológico: como dominação social da maioria trabalhadora, exercida diretamente por seus próprios órgãos — os conselhos.
Obra destacada
Workers’ Councils
Anton Pannekoek foi o marxista que levou Marx contra o Estado e contra o partido, defendendo que o socialismo só pode existir como autogoverno direto dos produtores, e não como administração burocrática em seu nome.
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Síntese Dialética
Vladimir Lênin (1870–1924) foi o principal dirigente do bolchevismo e o responsável por uma reinterpretação estratégica de Marx que resultou na tomada do poder por um partido — leitura esta contestada por marxistas contemporâneos de Marx.
Lênin e os impasses Marx × Bakunin
Na Primeira Internacional, o conflito entre Marx e Bakunin opunha dois caminhos:
Marx: auto-organização histórica do proletariado, inclusive política, com dissolução progressiva do Estado com a penetração do proletariado no estado, e a tomada do proletariado do poder econômico e político.
Bakunin: abolição imediata do Estado e rejeição de qualquer forma política centralizada.
Lênin se aproveita desse impasse ao propor uma “síntese” prática que, na realidade, desloca o eixo: em vez do autogoverno dos produtores, coloca o partido como sujeito histórico.
A estratégia de 1917: partido, conselhos e golpe
Em 1917, Lênin (com Leon Trotsky) articula-se com conselhos de soldados, marinheiros e operários (sovietes) — sobretudo setores militarizados — para executar uma tomada do poder.
O ponto decisivo: os sovietes não se tornam o poder; o partido governa em seu nome.
Resultado:
dissolução/neutralização de conselhos autônomos,
centralização no partido,
substituição do autogoverno por direção política permanente.
“Virtualização” do proletariado
Lênin virtualiza o proletariado em dois sentidos:
Sociológico → político: o proletariado real (plural, contraditório) é convertido numa vontade única.
Classe → partido: essa vontade passa a ser encarnada por uma elite (intelectual, política e militar) que governa em nome da classe.
Assim, a classe viva é substituída por um sujeito abstrato administrado pelo partido.
Leitura blanquista de Marx
Essa operação deriva de uma leitura blanquista de Marx, herdada de Louis Auguste Blanqui:
revolução por minoria disciplinada,
centralização do poder,
ditadura institucional (não sociológica).
Com isso, a “ditadura do proletariado” deixa de ser dominação social da maioria e torna-se domínio político de uma vanguarda.
As críticas marxistas contemporâneas
Essa leitura foi duramente criticada por marxistas que:
tiveram contato direto com Marx/Engels,
ou foram coautores e herdeiros teóricos da tradição.
Destaques:
Karl Kautsky — criticou a substituição da democracia de classe pela ditadura de partido.
Anton Pannekoek — defendeu o poder dos conselhos contra o centralismo partidário.
Karl Korsch — denunciou a estatização do marxismo e a separação entre classe e poder.
Síntese
Lênin instrumentaliza o conflito Marx × Bakunin.
Transforma a auto-organização proletária em governo de partido.
Blanquiza Marx: vanguarda, centralização, ditadura institucional.
É criticado por marxistas clássicos por substituir o autogoverno dos produtores por uma elite dirigente.
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Síntese Dialética
Mikhail Bakunin (1814–1876) foi um revolucionário russo, filósofo político e um dos fundadores do anarquismo moderno, sendo a principal referência do anarquismo coletivista.
Em síntese (claro e direto):
Bakunin defendia que toda forma de Estado é intrinsecamente opressiva, independentemente de quem o controle. Para ele, não existe “Estado popular” ou “Estado operário”: todo poder centralizado tende a se autonomizar e dominar a sociedade.
Diferentemente de Marx, Bakunin acreditava que a revolução não deveria passar por uma fase estatal transitória. A libertação dos trabalhadores exigiria a abolição imediata do Estado, da autoridade política e das hierarquias impostas.
1. Rejeição total do Estado (inclusive o “Estado socialista”).
2. Defesa da revolução social direta, não parlamentar.
3. Organização social baseada no federalismo, de baixo para cima.
4. Coletivização da terra e dos meios de produção, sem propriedade privada.
5. Autogoverno por associações de trabalhadores e comunas livres.
6. Bakunin × Marx (ponto decisivo)
7. Marx: admite a “ditadura do proletariado” como fase de transição.
8. Bakunin: vê nisso o nascimento de uma nova classe dominante (a burocracia).
9. Bakunin antecipou a crítica de que um partido revolucionário no poder substituiria a burguesia por uma elite política, tese que mais tarde seria associada às experiências autoritárias do socialismo de Estado.
Atuação histórica
10. Figura central na Primeira Internacional.
11.Envolvido em levantes revolucionários na Europa.
12. Influenciou profundamente o anarquismo, o sindicalismo revolucionário e correntes libertárias posteriores, como Peter Kropotkin.
Bakunin foi o grande teórico da liberdade radical, para quem a emancipação dos trabalhadores só pode existir sem Estado, sem hierarquia e sem qualquer forma de autoridade imposta.
A resposta de Marx a Bakunin (em termos conceituais)
Marx não defendia a preservação de um Estado forte ou permanente, nem a criação de um novo poder separado da sociedade. O que ele defende é a auto-organização política do proletariado enquanto classe, inclusive na forma de um partido político, como instrumento de luta contra o poder das classes dominantes.
Para Marx, o ponto central não é o Estado em si, mas quem exerce o poder social e jurídico.
Terra estatal e produtores associados
Na concepção marxiana:
A estatização da terra rompe o monopólio fundiário das classes improdutivas.
Os meios de produção, porém, não seriam geridos por um aparato estatal se1.parado, mas por uma associação de produtores livres e iguais, organizada democraticamente.
Nessa condição, o Estado deixa de ser um poder de classe e tende a se reduzir progressivamente a funções meramente administrativas.
Ou seja, quanto mais os produtores governam diretamente a produção e a vida social, menos o Estado é necessário.
O sentido real da “ditadura do proletariado”
Quando Marx afirma que
“o Estado de transição não pode ser nada além de uma ditadura revolucionária do proletariado”,
ele não está defendendo uma ditadura política no sentido moderno, nem o governo de um partido sobre a sociedade.
O termo significa:
1. a negação do Estado, dominado por proprietários, rentistas e classes improdutivas;
2. a afirmação de um corpo jurídico e político controlado diretamente pelos trabalhadores organizados enquanto classe;
3. uma forma de poder social majoritário, e não minoritário ou conspirativo.
Trata-se, portanto, de uma ditadura de classe no sentido sociológico, não de uma ditadura institucional autoritária.
Divergência real entre Marx e Bakunin
Bakunin teme que qualquer forma política transitória gere uma nova dominação burocrática.
Marx sustenta que, sem organização política própria, o proletariado permanece subordinado e incapaz de desmontar juridicamente o poder burguês.
Para Marx, a auto-organização política dos trabalhadores é justamente o meio pelo qual:
1. o Estado perde seu caráter coercitivo,
2. é absorvido pela sociedade,
3. e desaparece como poder separado.
Marx não propõe um “Estado socialista” autoritário. Ele propõe a auto-organização do proletariado, capaz de transformar o poder jurídico existente, reduzir o Estado a funções administrativas e suprimir gradualmente toda forma de dominação estatal, à medida que os produtores governam diretamente a sociedade.
Sentido sociológico (o sentido de Marx)
No sentido sociológico, Karl Marx usa “ditadura” não como forma de governo, mas como dominação de classe.
Aqui, “ditadura do proletariado” significa:
1. Qual classe exerce o poder social real.
2. Quem controla a terra, a produção, o crédito e o direito.
3. Quem define as regras da reprodução social.
Nesse sentido:
O capitalismo já é uma ditadura da burguesia, mesmo quando assume formas democráticas.
A “ditadura do proletariado” é simplesmente a inversão dessa relação:
os trabalhadores, enquanto maioria social, passam a dirigir a sociedade.
Não se trata de repressão política, mas de supressão da dominação econômica de uma classe sobre outra.
É um conceito descritivo da estrutura social, não normativo sobre instituições.
Sentido institucional (o erro das leituras autoritárias)
No sentido institucional, político, “ditadura” é entendida como:
1. governo centralizado,
2. suspensão de liberdades,
3. poder concentrado em um partido ou líder,
4. aparato coercitivo permanente.
Esse não é o sentido marxiano.
Marx não defende:
1. um Estado forte,
2. uma burocracia dirigente,
3. um partido governando no lugar da classe.
Essa leitura surge depois, sobretudo com Vladimir Lênin, sob forte influência de Louis Auguste Blanqui, que reinterpretam a transição socialista como ditadura institucional de partido.
Como Marx articula política e desaparecimento do Estado:
Para Marx:
1. O proletariado se auto-organiza politicamente (inclusive em partido),
2. conquista o poder jurídico e econômico,
3. estatiza a terra (para romper o monopólio fundiário),
4. entrega a gestão da produção a associações de produtores livres a qual eles fazem parte (a emancipação dos assalariados deve ser obra dos próprios assalariados).
Nesse processo:
1. o Estado perde seu caráter de classe,
2. reduz-se a funções administrativas,
3. e desaparece como poder separado da sociedade, criando as condições para que a sociedade civil se auto-determine diante do estado.
Sociológico (Marx):
ditadura = dominação de classe (quem manda na economia e no direito).
Político (leitura autoritária):
ditadura = regime político centralizado (partido, polícia, repressão).
Marx usa o termo no primeiro sentido, não no segundo.
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Síntese Dialética
Louis Auguste Blanqui (1805–1881) foi um revolucionário socialista francês, conhecido menos por uma teoria econômica e mais por uma estratégia política de tomada do poder.
Blanqui acreditava que a transformação social não dependia do desenvolvimento histórico das classes, mas da ação decisiva de uma minoria revolucionária organizada, disciplinada e conspirativa. Para ele, uma vanguarda armada poderia tomar o Estado, instaurar um governo revolucionário e, só depois, reorganizar a sociedade em bases igualitárias.
Diferentemente de Marx, Blanqui não elaborou uma teoria do capitalismo, do valor ou da luta de classes enquanto processo histórico. Sua preocupação central era o método da revolução, não a análise das relações sociais.
1. Revolução feita por uma minoria consciente, não pela maioria organizada.
2. Ênfase na conspiração, insurreição e ação direta.
3. Defesa de uma ditadura revolucionária centralizada como etapa necessária.
4. Pouca ou nenhuma análise econômica sistemática.
5. Socialismo concebido mais como objetivo moral do que como resultado histórico.
6. Blanqui × Marx (diferença essencial)
7. Blanqui: revolução = golpe político conduzido por poucos.
8. Marx: revolução = processo histórico de auto-organização da classe trabalhadora.
Embora marginal teoricamente, Blanqui exerceu forte influência prática. Sua concepção de vanguarda revolucionária marcou o pensamento de Vladimir Lênin, contribuindo para a interpretação centralizadora e partidária do marxismo no bolchevismo.
Louis Blanqui foi o símbolo do socialismo insurrecional e conspirativo, cuja herança política ajudou a deslocar o debate socialista do autogoverno dos trabalhadores para a tomada do poder por uma elite revolucionária.
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Síntese Dialética
Karl Marx, em parceria intelectual com Friedrich Engels, não pode ser corretamente identificado com as interpretações autoritárias posteriores associadas ao bolchevismo. Seu projeto teórico se insere, antes, como continuação crítica e aprofundamento científico da tradição da economia política radical inglesa, especialmente dos trabalhos de William Thompson e Thomas Hodgskin.
Esses autores já haviam demonstrado que o lucro, a renda e os juros resultam de relações jurídicas e sociais historicamente construídas, e não de leis naturais. Marx retoma esse núcleo crítico e o desenvolve de forma sistemática por meio da teoria da mais-valia, explicando o capitalismo como um modo de produção histórico, marcado pela exploração do trabalho assalariado.
Ao mesmo tempo, Marx dialoga com o socialismo francês, incorporando elementos do pensamento de Louis Blanc, sobretudo na recusa do espontaneísmo radical anarquista. Contra a ideia de dissolução imediata de toda forma política, Marx defende que o proletariado deve se auto-organizar enquanto classe politicamente consciente, inclusive na forma de um partido político próprio, como instrumento de luta.
1. Essa organização política tinha objetivos concretos e históricos:
2. redução da jornada de trabalho,
3. estatização da terra e do sistema bancário,
4. desmonte do poder econômico da burguesia,
5. e, sobretudo, o autogoverno dos produtores associados.
Do ponto de vista metodológico, Marx também se coloca como continuador crítico dos chamados “historiadores burgueses”, em especial John Millar, que já analisava o desenvolvimento das sociedades a partir das formas de produção e das divisões de classe. Marx transforma essa abordagem histórica em uma teoria científica: o materialismo histórico, no qual a luta de classes é o motor do desenvolvimento social.
Nesse contexto surge o conceito de “ditadura revolucionária do proletariado”, frequentemente mal interpretado. Em Marx, essa ditadura não significa o governo autoritário de um partido político, mas uma forma jurídica transitória, na qual a classe trabalhadora, enquanto maioria social, assume o controle das estruturas legais e econômicas para suprimir as relações de exploração. Trata-se, portanto, de um poder social dos produtores organizados, e não de um Estado policial ou centralismo partidário.
A interpretação que transforma essa ideia em ditadura de partido surge posteriormente, sobretudo com Vladimir Lênin, cuja leitura de Marx foi fortemente influenciada por Louis Auguste Blanqui. De Blanqui, Lênin herda a concepção de uma minoria revolucionária disciplinada, que age em nome do povo — concepção estranha ao núcleo do pensamento marxiano.
Marx concebia a transição socialista como um processo histórico de auto-organização dos produtores, baseado na ampliação da democracia social e econômica, e não como a dominação autoritária de um partido sobre a sociedade.
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Louis Blanc (1811–1882) foi um socialista francês, jornalista e homem público, ligado ao socialismo democrático e à experiência revolucionária de 1848.
Em síntese (simples e direto):
Louis Blanc defendia que o Estado deveria intervir para garantir o direito ao trabalho. Para ele, a concorrência capitalista produzia miséria e desigualdade, e precisava ser substituída por formas cooperativas de produção, apoiadas pelo poder público.
Sua proposta central eram as “oficinas sociais” (ateliers sociaux): cooperativas de trabalhadores financiadas inicialmente pelo Estado, mas destinadas a se tornarem autogeridas. Diferente dos socialistas libertários, Blanc via o Estado como instrumento de transição, não como algo a ser abolido de imediato.
Ideias centrais
1. Direito ao trabalho como princípio fundamental.
2. Crítica à concorrência capitalista.
3. Defesa de cooperativas de produção.
4. Papel ativo do Estado na transição ao socialismo.
5. Socialismo por vias democráticas e republicanas.
L’Organisation du Travail
Louis Blanc foi o socialista que acreditou que o Estado republicano poderia ser usado para criar cooperativas de trabalhadores e reduzir gradualmente o poder dos capitalistas, tornando-se uma figura central do socialismo francês do século XIX.
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Pierre Leroux (1797–1871).
Pierre Leroux foi um filósofo e socialista francês, uma figura-chave do socialismo humanista do século XIX. Ele cunhou e difundiu o termo “socialismo”, este foi o homem responsável por criar o termo "socialismo", e buscou uma alternativa tanto ao individualismo liberal quanto ao socialismo autoritário.
Defendia uma sociedade baseada na solidariedade, na associação voluntária e na igualdade, rejeitando a exploração capitalista sem recorrer ao estatismo centralizador. Para Leroux, o ser humano é essencialmente relacional: liberdade, igualdade e fraternidade são inseparáveis.
1. Crítica simultânea ao capitalismo e ao socialismo autoritário.
2. Defesa da associação e do cooperativismo.
3. Ênfase ética e humanista do socialismo.
4. Inspiração cristã e republicana (fraternidade).
5/ Influência sobre o socialismo francês e o pensamento democrático-social.
Obra marcante
De l’Humanité
Pierre Leroux foi o pensador que deu ao socialismo um fundamento ético-humanista, baseado na fraternidade e na associação livre, servindo de ponte as correntes democráticas posteriores.
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Síntese Dialética
Thomas Rowe Edmonds (1803–1889) foi um economista político inglês ligado à economia política clássica radical, situado entre Ricardo e os socialistas ricardianos.
Edmonds defendia que a economia capitalista gera conflito estrutural entre classes, pois o produto social é dividido de forma desigual entre trabalhadores, capitalistas e proprietários de terra. Embora aceitasse a teoria do valor-trabalho, criticava o modo como salários, lucros e renda eram distribuídos.
Ele foi um dos primeiros autores a usar explicitamente a ideia de antagonismo de classes como elemento central da análise econômica, antecipando formulações que depois apareceriam de forma mais desenvolvida em Marx.
1. O trabalho como base do valor.
2. Conflito entre classes econômicas.
3. Crítica à distribuição desigual da riqueza.
4. Economia como sistema histórico, não natural.
5. Aproximação com o socialismo, sem propor um sistema revolucionário fechado.
Obra principal
Practical Moral and Political Economy
Em poucas palavras: Thomas Rowe Edmonds foi um elo importante entre a economia clássica e o socialismo, ao introduzir de forma clara a noção de conflito de classes dentro da análise econômica, preparando o terreno para a crítica marxista posterior.
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